quinta-feira, 17 de março de 2011
sexta-feira, 23 de abril de 2010
O GESTAR II acontecendo na escola Pedro Neco
Aulas mais dinâmicas e pracezeras onde o aluno produz o conhecimento com a prática.

Este é um trabalho onde os alunos recortam um quadrado em partes menores na forma de triângulo onde cada lado das figuras tem operações e resultados que devem ser misturados para depois serem montados na forma de um quebra cabeça matemático, onde além da geometria o aluno aprende a tabuada brincando.
A intervenção do professor Domilton na Oficina.
Matemática no Campo - Escola Pedro Neco da Costa
Aulas mais dinâmoicas e significativas para o educando esta é a proposta do GESTAR II, a qual esta sendo uma das metas do professor Domilton no distrito Genezaré.
Esta é uma visita a horta do Sítio Baixio Grande, que teve por finalidade trabalhar a matemática de forma mais integrada onde foram abordados os conteúdos como: Cálculo de área, proporção, porcentagem, Unidades de medidas, geometria,...Etc.
quarta-feira, 31 de março de 2010
TEXTO: A ARTE DE PRODUZIR FOME
A ARTE DE PRODUZIR FOME
Adélia Prado me ensina pedagogia. Diz ela “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. O comer não começa com o queijo. O come começa na fome de comer o queijo. Se não tenho fome é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou o jeito de arranja um queijo...
Sugeri, faz muitos anos, que, para se entrar numa escola, alunos e professores deveriam passar por uma cozinha. Os cozinheiros bem que podem dar lições aos professores. Foi na cozinha que Babette e a Tita realizaram suas feitiçarias... Se vocês, por acaso, ainda não as conhecem tratem de conhecê-las: a Babette no filme “A festa de Babette”, e a Tita, em “Como Água para Chocolate”. Babette e Tita, feiticeiras, sabiam que os banquetes não começam com a comida que se serve. Eles se iniciam com a fome. A verdadeira cozinheira é aquela que sabe a arte de produzir fome...
Quando vivi nos Estados Unidos, minha família e eu visitávamos, vez por outra, uma parente distante, nascida na Alemanha. Seus hábitos germânicos eram rígidos e implacáveis.
Não admitia que uma criança se recusasse a comer a comida que era servida. Meus dois filhos, meninos, movidos pelo medo, comiam em silêncio. Mas eu me lembro de uma vez em que, voltando para casa, foi preciso para o carro para que vomitassem. Sem fome, o corpo se recusa a comer. Forçado, ele vomita.
Toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. É a fome que põe em funcionamento o aparelho pensador. Fome é afeto. O pensamento nasce do afeto, nasce da fome. Não confundir afeto com beijinhos e carinhos. Afeto, do latim “affetare”, quer dizer “ir atrás”. É o movimento da alma na busca do objeto de sua fome. É o Eros platônico, a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado.
Eu era menino. Ao lado da pequena casa onde morava, havia uma casa com um pomar enorme que eu devorava com os olhos, olhando sobre o muro. Pois aconteceu que uma árvore cujos galhos chegavam a dois metros do muro se cobriu de frutinhas que eu não conhecia.
Eram pequenas, redondas, vermelhas, brilhantes. A simples visão daquelas frutinhas vermelhas provocou o meu desejo. Eu queria comê-las.
E foi então que, provocada pelo o meu desejo, minha máquina de pensar se pôs a funcionar. Anote isso: o pensamento é a ponte que o corpo constrói a fim de chegar ao objeto do seu desejo.
Se eu não tivesse visto e desejado a ditas frutinhas, minha máquina de pensa teria permanecido parada. Imagine se a vizinha, ao ver meus olhos desejantes sobre o muro, com dó de mim, tivesse me dado um punhado das ditas frutinhas, as pitangas. Nesse caso, também minha máquina de pensar não teria funcionado. Meu desejo teria se realizado por meio de um atalho, sem que eu tivesse tido a necessidade de pensar. Anote isso também: se o desejo for satisfeito, a máquina de pensar não pensa. Assim, realizando-se o desejo, o pensamento não acontece. A maneira mais fácil de abortar o pensamento é realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam as respostas antes que tivesse havido perguntas.
Provocada pelo o meu desejo, minha máquina de pensar me faz uma primeira sugestão, criminosa. “ Pule o muro à noite e roube as pitangas”. Furto, frutos, tão próximos...Sim de fato era uma solução racional. O furto me levaria ao fruto desejado. Mas havia um senão: o medo. E se eu fosse pilhado no momento do meu furto? Assim rejeitei o pensamento criminoso, pelo seu perigo.
Mas o desejo continuou e minha máquina de pensar tratou de encontrar outra solução: “Construa uma máquina de roubar pitangas”. Mcluhan nos ensinou que todos os meios técnicos são extensões do corpo. Bicicletas são extensões das pernas, óculos são extensões dos olhos, facas são extensões das unhas.
Uma maquineta de rouba pitangas teria de ser uma extensão do braço. Um braço comprido, com cerca de dois metros. Peguei um pedaço de bambu. Mas um braço de bambu, sem a mão, seria inútil: as pitangas cairiam.
Achei uma lata de massa de tomates vazia. Amarrei-a com um arame na ponta do bambu. E lhe fiz um dente, que funcionasse como um dedo que segura a fruta. Feita a minha máquina, apanhei todas as pitangas que quis e satisfiz o meu desejo. Anote isso também: conhecimentos são extensões do corpo para a realização de um desejo.
Imagine agora se eu, mudando-me para um apartamento no Rio de Janeiro, tivesse a idéia de ensinar ao menino meu vizinho a arte de fabricar maquinetas de roubar pitangas. Ele me olharia com desinteresse e pensaria que eu estava louco. No prédio, não havia pitangas para serem roubadas. A cabeça não pensa aquilo que o coração não pede. E anote isso também: conhecimentos que não são nascidos do desejo são como uma maravilhosa cozinha na casa de um homem que sofre de anorexia. Homem sem fome: o fogão não será aceso. O banquete nunca será servido.
Dizia Miguel de Unamuno: “Saber por saber: isso é inumano...” A tarefa do professor é a mesma do cozinheiro: antes de dar faca e queijo ao aluno, provocar a fome... Se ele tiver fome, mesmo que não haja queijo, ele acabará por fazer uma maquineta de roubá-los. Toda tese acadêmica deveria ser isso: uma maquineta de roubar o objeto de que se deseja...
Assaré, 27 de fevereiro de 2010.
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Rubem Alves
TEXTO: O PODER DA VALIDAÇÃO
O PODER DA VALIDAÇÃO
Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os super-confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho.
Afinal, ninguém é de ferro. Paulo Autran “tremia” nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça já estivesse sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator “relaxava” e “partia” tranqüilo para o resto do espetáculo eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada novo artigo que escrevo, e corro desesperado para ver os primeiro e-mails que chegam.
Insegurança é o problema humano número 1. O mundo seria muito menos neurótico louco e agitado se fossemos todos um pouco menos inseguros trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir esta insegurança?
Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveria o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente depende dos outros. Está totalmente fora do nosso controle. Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente ela é sempre temporária, efêmera.
Segurança depende de um processo que chamo de “validação”, embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe que ela é real, verdadeira, que ela tem valor.
Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente alguém tem dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonito que você seja. O autoconhecimento tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode auto valida-se por definição.
Você sempre será um ninguém a não ser que os outros lhe validem como alguém. Validar o outro significa confirma como dizer: “Você tem significado para mim”. Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: “Gosto de você pelo o que você é”. Quem cunhou a frase “Por trás de um grande homem existe uma grande mulher” ( e vice-versa) provavelmente estava pensando neste poder de validação que só uma companheira é presente no dia-a-dia poderá dar.
Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo. Estamos tão preocupados com a nossa própria segurança que não temos tempo para andar validando os outros. Estamos tão preocupados para mostrar que somos o “máximo”, que esquecemos de dizer aos nossos amigos, filhos e cônjuges que o “máximo são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos.
Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e o não ser. Por falta de validação criamos um mundo onde todos querem mostrar-se, ou dominar os outros em busca de poder.
Validação permite que as pessoas sejam aceitam pelo o que realmente são e não pelo o que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em se mesmas e crescerão para ser o que queremos.
Se quiséssemos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia. Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um “Valeu, cara, valeu!”.
Você já validou alguém hoje? Então comece já por mais inseguro que você esteja.
Assaré, 27 de fevereiro de 2010.
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Artigo publicado na Revista Veja, edição 1705, ano 34, nº 24, 20 de junho de 2001, pág.22.
domingo, 14 de março de 2010
CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES DO GESTAR II - MATEMÁTICA
Secretaria Municipal de Educação - Assaré- CE
Cronograma de Encontros- GESTAR-II
PROGRAMA GESTÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR - GESTAR II
Encontros Presenciais – Matemática
VERDE - Ações realizadas
VERMELHO - Ações a realizar
24/08/2009 Manhã 4h
1ª OFICINA
Unidade 1-Sessão Coletiva 1 - Explorando Conceitos matemáticos numa Discussão sobre Alimentação.
Unidade 1-Sessão Coletiva 1 - Explorando Conceitos matemáticos numa Discussão sobre Alimentação.
29/08/2009 Manhã/Tarde 8h
2ª OFICINA
Unidade 3-Sessão Coletiva 2 - Imposto de Renda e Porcentagem.
14/09/2009 Manhã/Tarde 8h
3ª OFICINA
Unidade 5 e 7-Sessão Coletiva 3 - Explorando Conceitos matemáticos numa discussão sobre esportes. 13/10/2009 Manha/Tarde 8h
4ª OFICINA
Unidade 9-Sessão Coletiva 5 - O Universo das Formas.
07/11/2009 Manhã/Tarde 8h
5ª OFICINA
Unidade 11-Sessão Coletiva 6 - Usando o Conceito de Variáveis para discutir ecologia.
28/11/2009 Manhã/Tarde 8h
6ª OFICINA
Unidade 13- Sessão Coletiva 7 - A educação matemática contribuindo na formação do cidadão/consumidor Critico participativo e autônomo.
22/12/2009 Manhã/Tarde 8h
7ª OFICINA
Unidade 15- Sessão Coletiva 8 - Água- da hipótese de Tales a um problema no mundo atual- Teorema de Tales, semelhança de triângulos, previsão de eclipses e determinação de distancias inacessíveis.
27/02/2010 Manhã/Tarde 8h
8ª OFICINA
Unidade 17- Sessão Coletiva 9 - Matemática e Impacto Social da Tecnologia da Informação.
2703/2010 Manhã/Tarde 8h
9ª OFICINA
Unidade 19-Sessão Coletiva 10 - Explorando Conceitos matemáticos em uma discussão sobre a reutilização e o uso de novas tecnologias.
24/04/2010 Manhã/Tarde 8h
10ª OFICINA
Unidade21-Sessão Coletiva 11 - A álgebra como ferramenta humana, Frações e Frações Algébricas.
15/05/2010 Manhã/Tarde 8h
11ª OFICINA
Unidade 23-Sessão Coletiva 12 - Alimentação e Saúde- Sistemas de Equações Lineares.
29/05/2010 Manhã/Tarde 8h
TEXTO - O LUIZINHO DA SEGUNDA FILA
O Luizinho da segunda fila
Marcelo é um excelente professor de Geografia.
Na aula sobre o Pantanal até excedeu-se. Falou com entusiasmo, relatou com detalhes, descreveu com precisão. Preencheu a lousa com critério, soube fazer com que os alunos descobrissem na interpretação do texto do livro a magia dessa região quase selvagem. Exibiu um vídeo, congelou cenas e enriqueceu-as com detalhes, com fatos experimentados, acontecimentos do dia-a-dia de cada um.
Em sua prova, é evidente, não deu outra: uma redação sobre o tema e questões operatórias que envolviam o Pantanal. Seus rios, suas aves, sua vegetação... a planície imensa. Os alunos acharam fácil. Apanharam suas folhas e começaram a trazer, palavra por palavra, suas imagens para o papel. As canetas corriam soltas e as linhas transformavam-se em parágrafos. Marcelo sabia o quanto teria que corrigir, mas vibrava... Sentia que os alunos aprendiam. Descobriam o interesse que sua ciência despertava. Não pôde conter uma emoção diferente quando Heleninha, sua aluna predileta, foi até sua mesa e arfante solicitou:
- Posso pegar mais uma folha em branco?
O único ponto de discórdia, o único sentimento opaco que aborrecia Marcelo, era o Luizinho, aquele da segunda fila. – Puxa vida! – pensava – Luizinho assistira às suas aulas, arregalara
os olhos com as explicações e agora, na prova, silêncio absoluto, imobilidade total...
nem sequer uma linha. Sentiu ímpetos de esganar Luizinho. Mas, tudo bem, não queria
se irritar. Luizinho pagaria seu preço, iria certamente para a recuperação. Se duvidasse
poderia, até mesmo, levá-lo à retenção. Seria até possível arrancar um ano inteirinho de
sua vida...
Minutos depois, avisou que o tempo estava terminado. Que entregassem sua folha. Viu então que, rapidamente, Luizinho desenhou, na primeira página das folhas de prova, o Pantanal. Rico, minucioso, preciso. Marcelo emocionou-se, ao ver aquele quadro, de irretocável perfeição, nas mãos de Luizinho que coloria as últimas sobras. Entusiasmado indagou:
- E aí, Luís? Você já esteve no Pantanal?
Não. Luizinho jamais saíra de sua cidade. Construiu sua imagem a partir das aulas ouvidas. Marcelo sentiu-se um gigante e, de repente, descobriu-se o próprio Piaget. Havia com suas palavras construído uma imagem completa, correta e absoluta na mente de seu aluno.
Mas, deu zero pela redação. É claro. Naquela escola não era permitido que se rabiscassem as folhas de prova. A história de Luizinho repete-se em muitas escolas. Sua inteligência pictórica é imensa, colossal, lúcida, clara e contrasta visivelmente com as limitações de sua competência verbal. Expressou o que sabia, da maneira como conseguia.
Mas, não são todos os professores que se encontram treinados para ouvir linguagens diferentes das que a escola instituiu como única e universal.
Autor Desconhecido
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